Se você percebeu que o seu cachorro está mais apático, sem vontade de comer, ou notou que o xixi dele saiu bem mais escuro do que o normal, esse tipo de mudança costuma preocupar e com razão.
Alterações na urina, febre e queda de ânimo são sinais que merecem atenção, principalmente depois de dias de chuva, poças d’água ou contato com terrenos baldios.
Um dos motivos possíveis para esse quadro é a leptospirose canina, uma doença infecciosa que costuma se espalhar justamente nesses cenários, não é o caso de entrar em pânico diante de qualquer sintoma isolado, mas também não é algo para deixar para depois, afinal, quando não é identificada e tratada a tempo, a leptospirose pode comprometer seriamente os rins e o fígado do cão.
Neste conteúdo, você vai entender como a doença é transmitida, quais sinais observar em cada fase, se existe cura, os riscos para as pessoas da casa e como a vacinação e alguns cuidados simples ajudam a proteger o seu pet.
O que é a leptospirose canina e como ocorre a contaminação
A leptospirose é uma doença infecciosa causada pela bactéria Leptospira, que sobrevive por semanas ou até meses em água parada, solo úmido e lama contaminada, ela não é transmitida de cão para cão pelo simples convívio, o contágio acontece principalmente pelo contato com urina de animais infectados, sobretudo de ratos, que são os principais reservatórios da bactéria no ambiente urbano.
Na prática, isso significa que cachorros que pisam, cheiram ou bebem água de poças formadas após a chuva estão entre os mais expostos, assim como aqueles que têm contato com lama, valas, terrenos baldios ou áreas com histórico de infestação de roedores.
Quanto mais tempo o cão passa nesses ambientes, maior a chance de contato com a bactéria.
É importante entender que a exposição pode acontecer independentemente da idade, da raça ou do estilo de vida do cão e mesmo pets que vivem majoritariamente dentro de casa não estão automaticamente livres do risco, já que qualquer passeio em área alagada ou com acúmulo de água já é suficiente para o contato com a bactéria.
Por isso, entender como o cachorro pega leptospirose é o primeiro passo para reduzir o risco, para evitar poças d’água em passeios, não deixar o pet beber água parada na rua e manter o ambiente doméstico livre de roedores já fazem diferença real na prevenção
Primeiros sinais e sintomas e o que a pessoa responsável pelo pet deve observar
Os sintomas da leptospirose costumam evoluir em fases, e é justamente essa evolução que torna a doença perigosa, pois, no começo, os sinais são inespecíficos e fáceis de confundir com um mal-estar passageiro. Reconhecer esse padrão ajuda a agir antes que o quadro se agrave.
Na fase inicial, o organismo do cão já está reagindo à infecção, mesmo que ainda não existam sinais visíveis de comprometimento nos órgãos.
É nesse momento que a observação de quem convive com o pet no dia a dia faz toda a diferença.
Sinais da fase inicial:
- Febre, apatia, perda de apetite, vômitos e fraqueza generalizada;
- Cachorro com febre e vomitando, mais quieto ou desanimado do que o habitual.
Esses sinais iniciais são parecidos com os de várias outras condições, por isso, a origem exata só é confirmada com avaliação veterinária e exames, nunca só pela observação em casa.
Se o quadro não é identificado nessa etapa, os sintomas podem evoluir para sinais que indicam que os rins e o fígado já estão sendo afetados e que a situação já é mais grave.
Sinais da fase avançada:
- Icterícia, ou seja, gengivas e olhos com coloração amarelada;
- Cachorro com xixi muito amarelo ou fazendo xixi escuro, com aspecto de chá mate ou até com sangue;
- Dor muscular perceptível ao toque, principalmente nas costas e nas patas traseiras.
Se você notar essa coloração amarelada nos olhos ou nas gengivas do seu pet, vale a pena entender melhor o que ela pode indicar.
Se o seu cão apresentar prostração intensa, febre, vômitos persistentes, alteração na sede ou na urina, icterícia, dor ao toque ou tiver histórico recente de contato com enchentes, lama ou roedores, o ideal é procurar avaliação veterinária o quanto antes.

A leptospirose canina tem cura?
A leptospirose canina tem tratamento e, na maior parte dos casos, cura, principalmente quando o diagnóstico acontece cedo, ainda na fase inicial dos sintomas e quanto antes o cão chega ao atendimento, maiores são as chances de reverter o quadro sem sequelas nos rins ou no fígado.
O tratamento é feito em ambiente hospitalar e costuma envolver fluidoterapia para dar suporte aos rins, antibióticos específicos para eliminar a bactéria e monitoramento contínuo da função renal e hepática por meio de exames de sangue.
A função renal, inclusive, é um dos pontos mais monitorados e em casos mais avançados, pode ser necessária internação prolongada, com suporte intensivo.
Um ponto que merece atenção é a automedicação e o atraso na busca por atendimento, o que são os principais fatores que pioram o prognóstico.
Dar remédios por conta própria, esperar o cão ‘melhorar sozinho’ ou tentar amenizar os sintomas em casa pode custar um tempo precioso, e é justamente o tempo que faz a diferença entre um tratamento simples e uma internação intensiva.
Por isso, diante de qualquer suspeita, o caminho mais seguro é procurar avaliação veterinária o quanto antes, sem tentar diagnosticar ou tratar a doença sozinho em casa.

Transmissão para humanos e o motivo para leptospirose ser uma zoonose
A leptospirose é classificada como uma zoonose, ou seja, uma doença que pode ser transmitida entre animais e pessoas.
Isso não significa que ter um cão em casa representa um risco constante, afinal, a exposição das pessoas costuma acontecer, principalmente, pelo contato direto com água, solo ou superfícies contaminadas pela urina, e de forma menos frequente pelo contato direto com o cão doente.
Ainda assim, quando há um cão com suspeita da doença em casa, alguns cuidados simples reduzem bastante o risco de exposição para todos os moradores, incluindo crianças e outros animais.
- Higienizar bem as mãos após qualquer contato com o cão, principalmente após lidar com a urina;
- Usar luvas ao limpar áreas onde o pet urinou, evitando contato direto;
- Ao desinfetar o local, seguir a diluição indicada no rótulo do produto de limpeza e manter crianças e outros animais afastados durante o processo;
- Evitar que crianças brinquem em áreas onde possa haver urina do animal sem higienização prévia;
- Procurar orientação médica se alguém da casa apresentar febre, dor muscular ou mal-estar após lidar com um cão com suspeita de leptospirose.
Esses cuidados não substituem o acompanhamento veterinário do pet, eles caminham junto com o tratamento, reduzindo o risco para as pessoas enquanto o cão está em recuperação.
Vacinação e proteção contra a leptospirose
A vacina de leptospirose para cães, presente nas vacinas múltiplas V8 ou V10, é uma das principais formas de reduzir o risco da doença.
Ela estimula o organismo do cão a criar defesas contra alguns dos sorovares de Leptospira mais comuns em circulação, diminuindo a chance de infecção e, quando ela ocorre, tendendo a reduzir a gravidade do quadro.
Se quiser entender o papel de cada vacina do protocolo canino, vale conferir também o conteúdo sobre doenças que as vacinas previnem em cães.
É importante ter uma expectativa realista sobre a vacina: nenhuma vacina garante proteção total contra todos os sorovares existentes, e a composição pode variar conforme o fabricante, por isso, o protocolo vacinal, incluindo doses iniciais e reforços e deve ser definido pelo médico-veterinário, considerando idade, histórico vacinal, região e nível de exposição do cão.
Além da vacinação, o controle do ambiente em torno da casa tem papel importante na prevenção, já que reduz o contato do pet e da própria família com roedores, principal fonte de contaminação em áreas urbanas.
- Evitar acúmulo de lixo e entulho no quintal ou em áreas próximas à casa;
- Vedar frestas e buracos que possam servir de abrigo para roedores;
- Não deixar ração ou comida exposta durante a noite, principalmente em áreas externas;
- Evitar que o cão tenha acesso a água parada, poças e áreas alagadas após chuvas;
- Manter o reforço da vacina em dia, conforme orientação veterinária.
Esses cuidados, somados à vacinação em dia, formam a combinação mais eficaz de prevenção e podem ser conferidos durante o check-up de rotina do seu pet, que também ajuda a identificar precocemente qualquer sinal de alteração na saúde.
Viu algum destes sintomas no seu pet
Se o seu cachorro está com febre, apatia, xixi mais escuro do que o normal ou qualquer outro sinal comentado aqui, o ideal é não esperar para ver se ‘passa sozinho’. O Bionicão atende 24 horas, todos os dias da semana, conheça mais sobre a estrutura de atendimento veterinário emergencial 24h em Sorocaba, com equipe pronta para avaliar o quadro, solicitar os exames necessários e iniciar o tratamento o quanto antes, se for preciso.
Uma boa prática é já deixar o número do Bionicão salvo no celular, assim, se algum sinal aparecer, seja de madrugada ou em qualquer outro horário, você sabe exatamente para quem ligar ou mandar mensagem, sem perder tempo procurando.
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