Fevereiro roxo pet: mês de conscientização de doenças em pets idosos e neurodegenerativas

Envelhecer para cães e gatos também é uma fase que pede mais atenção aos detalhes, afinal, muitas mudanças aparecem devagar, o pet diminui o ritmo, dorme mais, fica “mais quieto”.

Algumas são esperadas com a idade, outras são o jeito do corpo (e do cérebro) avisar que algo precisa ser investigado.

É aqui que entra o Fevereiro Roxo Pet, uma campanha inspirada no movimento humano de conscientização (Alzheimer, lúpus e fibromialgia), passou a ser usada no universo pet para reforçar a importância de diagnóstico precoce, acompanhamento e qualidade de vida, especialmente em animais idosos e em doenças neurodegenerativas.

E um recado importante, antes de tudo, “envelhecer” não é “normalizar sintomas”, pois, diretrizes de cuidado reforçam uma abordagem proativa, com prevenção, diagnóstico, nutrição e comorbidades, porque é possível viver a terceira idade com mais conforto e autonomia.

Fevereiro Roxo Pet e por que importa para pets idosos

A campanha Fevereiro Roxo Pet funciona como um “lembrete anual” para o que deveria acontecer o ano inteiro, observar mudanças sutis, manter rotina de avaliações e falar sobre condições que tendem a aparecer mais na velhice, incluindo alterações cognitivas e de comportamento.

O objetivo da conscientização é simples, perceber cedo para agir cedo e agir, aqui, não é “tratar em casa”, e sim avaliar, descartar causas reversíveis (dor, alterações metabólicas, perda de visão/audição etc.) e montar um plano de cuidado.

Quando um pet é considerado idoso

Não existe uma idade única que “vira a chave” para todos e especialmente em cães, a transição varia com raça/porte e expectativa de vida.

Em cães, a fase que podemos considerar ser idoso chega em idades diferentes, cães pequenos costumam ser idosos entre 10–12 anos, cães médios entre 8–10 e cachorros grandes por volta de 7–9, e gigantes muitas vezes entre 6–8 anos, por isso o check-up precisa ser antecipado conforme o porte.

Para gatos, as diretrizes definem que acima de 10 anos, já podemos considerar idoso.

Na prática do dia a dia, você pode pensar assim:

  • Cães de pequeno porte tendem a entrar na fase sênior mais tarde.
  • Cães de porte grande e gigante costumam envelhecer mais cedo.
  • Gatos costumam ser considerados sêniores por volta dos 10+.

O que muda no corpo do pet com o passar dos anos

O envelhecimento pode trazer mudanças no metabolismo, na imunidade, na capacidade de regular temperatura, na resposta à inflamação e na tolerância ao esforço. Além disso, é comum aumentar a chance de:

  • Dor crônica (principalmente músculo esquelética);
  • Alterações cardíacas e renais;
  • Mudanças endócrinas/metabólicas;
  • Maior risco de alguns tumores;
  • Alterações cognitivas e de sono.

Por isso, o objetivo do check-up não é “achar problema” e sim detectar cedo o que ainda está silencioso.

Recomendamos avaliação de saúde uma ou duas vezes ao ano com exames laboratoriais básicos (como hemograma, bioquímica e urinálise) e outros testes conforme risco e sinais.

Em muitos casos, um ajuste de rota precoce muda completamente a qualidade de vida do cão.

Sinais iniciais que merecem atenção em cães idosos

Na terceira idade, muitos problemas não começam “com cara de emergência”, eles aparecem como pequenas mudanças progressivas e é exatamente por isso que passam despercebidos.

Em pets idosos, o organismo costuma compensar por um tempo antes de “descompensar”, então sinais discretos podem ser a primeira pista de dor crônica, alterações renais e endócrinas, doenças cardíacas, perda sensorial (visão/audição) e até mudanças cognitivas.

Um bom critério para observar padrão e persistência é, se a mudança é nova, dura mais do que alguns dias ou vai se repetindo, vale investigar.

A ideia não é “procurar problema”, e sim antecipar diagnóstico, porque, em geriatria, agir cedo quase sempre significa mais conforto, mais autonomia e menos crises.

Mudanças “silenciosas” que merecem registro

  • Apetite e padrão alimentar: redução de apetite, seletividade alimentar, demora maior para comer, pausas frequentes durante a refeição.
  • Consumo de água e micção: aumento de sede e/ou aumento do volume/frequência urinária (inclusive escapes).
  • Peso e condição corporal: perda de peso sem mudança de dieta, perda de massa muscular (especialmente em pernas e região lombar) ou ganho de peso progressivo.
  • Disposição e nível de atividade: redução do interesse por passeio/brincadeiras, cansaço precoce, maior tempo em repouso.
  • Tolerância ao exercício e respiração: ofegação desproporcional ao esforço, pausas mais frequentes, menor resistência em atividades habituais.

Sinais “clássicos” percebidos em casa

  • Alterações no sono e no ritmo circadiano: dormir mais durante o dia e ficar mais ativo à noite (ex.: “cachorro idoso dorme de dia e fica acordado à noite”).
  • Desorientação e confusão ambiental: parecer “perdido”, ficar parado em cantos, dificuldade para reconhecer caminhos ou rotinas (ex.: “cachorro idoso desorientado”).
  • Mudanças de vocalização: latidos/miados mais frequentes, especialmente no período noturno, ou vocalização associada a ansiedade/desconforto.
  • Urinar/defecar fora do local habitual: inclusive em animais previamente treinados.
  • Mudanças emocionais e de interação: irritabilidade, aumento de ansiedade, busca excessiva por contato, ou apatia e isolamento.

Esses sinais não “fecham diagnóstico” sozinhos, mas são marcadores de que o pet precisa de avaliação clínica e, muitas vezes, exames de triagem, especialmente para diferenciar causas como dor, alterações metabólicas/hormonais, perda sensorial e quadros cognitivos.

Principais doenças em pets idosos

Na geriatria veterinária, o mais importante não é decorar uma lista de doenças é entender um princípio: o pet idoso tende a não demonstrar quando algo está errado.

Em vez de sintomas explosivos, muitas condições começam com sinais inespecíficos, como redução de apetite, perda de peso discreta, alteração de sono, queda de disposição ou mudanças de comportamento.

Além disso, é comum que existam comorbidades (mais de um problema ao mesmo tempo).

Por exemplo: um cão idoso com dor articular pode ficar mais sedentário, ganhar peso, piorar a respiração ao esforço e ainda mascarar sinais iniciais de doença cardíaca.

Já em gatos, alterações de ingestão de água/urina e perda de peso podem ser as primeiras pistas de doença renal, hipertireoidismo ou diabetes, condições que exigem investigação objetiva, com exame clínico e exames laboratoriais.

Doenças renais (doença renal crônica)

A doença renal crônica é uma das condições mais frequentes em pets idosos, especialmente em gatos. 

No início, os sinais podem ser sutis, como o aumento de sede, urinar mais, perda de peso, apetite instável, hálito mais forte e episódios de náusea/vômito.

Em muitos casos, o responsável pelo pet percebe apenas que “ele está mais quieto” ou “mais seletivo”.

Do ponto de vista clínico, a investigação costuma incluir exames de sangue (função renal e parâmetros metabólicos), urinálise (densidade urinária e presença de alterações), e pressão arterial, já que hipertensão pode coexistir e piorar o quadro.

O risco de “esperar passar” é perder o momento em que ajustes de manejo e dieta (sempre sob orientação veterinária) conseguem preservar melhor qualidade de vida e reduzir descompensações.

Doenças cardíacas

Em pets idosos, alterações cardíacas podem se manifestar de forma progressiva.

Os sinais mais comuns percebidos em casa incluem tosse, cansaço fácil, redução da tolerância ao exercício, respiração mais rápida em repouso e maior fadiga após atividades habituais.

Alguns responsáveis descrevem como “ele envelheceu de repente”, quando, na verdade, houve piora gradual da capacidade cardiopulmonar.

Na avaliação, o veterinário pode identificar sopros ou alterações de ritmo ao exame físico, e indicar exames complementares conforme necessidade, como radiografia de tórax, eletrocardiograma e/ou ecocardiograma.

O risco de postergar é permitir progressão silenciosa até uma fase de descompensação, quando o pet passa a ter desconforto respiratório e necessita de atendimento imediato.

Doenças articulares e de coluna (dor crônica)

Dor crônica é extremamente comum em pets idosos e, muitas vezes, é subestimada porque o responsável interpreta como “preguiça” ou “idade”.

Os sinais típicos incluem rigidez ao levantar, dificuldade para subir em sofá/escada, relutância para passear, alteração de marcha, lambedura excessiva em articulações e mudanças de humor (irritabilidade ou apatia).

A abordagem profissional envolve avaliação de dor, exame ortopédico e neurológico quando indicado, além de exames de imagem em casos selecionados.

O ponto crítico aqui é que a dor não tratada (ou tratada de forma inadequada) impacta sono, apetite, mobilidade e comportamento e pode se confundir com quadros cognitivos, além disso, automedicação é particularmente perigosa, pois alguns fármacos humanos podem causar intoxicações graves.

Doenças endócrinas e metabólicas

Alterações endócrinas podem aparecer com sinais relativamente “genéricos”, aumento de sede e urina, perda de peso, apetite aumentado ou reduzido, cansaço e, em alguns casos, vômitos.

Em gatos idosos, por exemplo, perda de peso com apetite aumentado é um padrão que merece investigação.

A confirmação depende de exames laboratoriais (glicemia, marcadores metabólicos e avaliação sistêmica) e, conforme o caso, exames adicionais para entender o impacto em outros órgãos.

O risco de adiar é permitir descompensações, perda de massa muscular e complicações que tornam o manejo mais difícil e exigem internação com maior frequência.

Neoplasias (tumores): o que observar em “caroços” e mudanças persistentes

“Caroço” não é diagnóstico, em pets idosos, surgem nódulos benignos e malignos e a diferença entre eles não deve ser baseada apenas em “aparência” ou “tamanho”.

Sinais que merecem atenção incluem nódulos que crescem, mudam de consistência, inflamam, ulceram, sangram, ou vêm acompanhados de perda de peso, apatia e alterações persistentes de apetite.

Na prática clínica, é comum o veterinário indicar avaliação por citologia (punção) e, quando necessário, exames de imagem para estadiamento/planejamento, pois, o risco de esperar é perder a janela em que intervenções são menos invasivas e têm melhor prognóstico.

Exames comuns em um check-up sênior

Como base, um check-up de pet idoso costuma incluir hemograma, perfil bioquímico (com avaliação de rim e fígado), urinálise e mensuração de pressão arterial.

Exames complementares (imagem, hormonais, cardiológicos) são definidos conforme histórico, sinais clínicos e achados do exame físico.

Se você percebeu mudanças persistentes (especialmente sede/urina, perda de peso, tosse, rigidez/dor ou confusão), vale antecipar uma avaliação e se surgir um sinal agudo importante como falta de ar, convulsão, desmaio ou dor intensa, a recomendação é procurar atendimento no mesmo dia.

Cuidados essenciais

Podemos considerar que para cuidar de um pet idoso envolve é necessário ter atenção em três “pilares”, conforto, prevenção e manutenção de rotina.

Pequenas adaptações no dia a dia reduzem o risco de quedas, alivia desconfortos articulares, ajudam na digestão e mantém o pet mais ativo, o que impacta diretamente bem-estar, sono e até comportamento.

A seguir, estão os pilares mais importantes para estruturar uma rotina segura e saudável na terceira idade.

Adapte o ambiente

Com o passar dos anos, é comum o pet perder estabilidade, ter menos força muscular e ficar mais sensível a pisos lisos e mudanças bruscas de temperatura.

Por isso, o ambiente deve “trabalhar a favor” deles e ajustes simples já fazem diferença para:

– Reduzir escorregões;

– Facilitar acesso aos locais que ele usa e criar áreas de descanso confortáveis.

Isso é especialmente relevante para cães com dor crônica e para gatos que passam a evitar saltos altos.

Tapetes antiderrapantes e caminha confortável

Tapetes antiderrapantes em áreas de passagem (corredor, perto do pote, acesso ao quintal) ajudam a prevenir quedas e diminuem a insegurança ao caminhar.

Já a cama ideal para um pet idoso costuma ser mais firme, com bom apoio para articulações, e posicionada em um local sem correntes de ar e sem necessidade de subir degraus.

Se o pet tem dificuldade para deitar/levantar, vale priorizar modelos de fácil acesso (mais baixos) e considerar rampinhas para sofá/cama quando isso faz parte da rotina da casa.

Alimentação adequada

Na terceira idade, a alimentação deixa de ser só “o que ele gosta” e passa a ser parte do cuidado preventivo e a necessidade calórica pode mudar, afinal, a digestão pode ficar mais sensível e algumas doenças comuns (renais, metabólicas, gastrointestinais) pedem ajustes específicos.

O ponto mais importante é que mudanças alimentares precisam ser planejadas, com orientação veterinária, principalmente se o pet já apresenta alterações de peso, apetite, fezes ou vômitos.

Dieta para pets idosos

Uma dieta para pets idosos costuma considerar, manutenção de massa muscular (proteína de boa qualidade), controle de peso, saúde intestinal e suporte às condições já diagnosticadas.

Em alguns casos, dietas terapêuticas são indicadas (por exemplo, para rins, diabetes ou obesidade).

Para o responsável pelo pet, o melhor sinal de que a dieta está adequada é ver peso mais estável, fezes regulares, boa disposição e pelagem saudável e isso deve ser acompanhado em consultas, não só “no olho”.

Exercícios moderados

A atividade física ainda é muito importante na terceira idade, mas o objetivo muda.

Em vez de “gastar energia”, a meta é preservar a mobilidade, reduzir a rigidez, manter a massa muscular e favorecer o bem-estar mental.

Exercício moderado e consistente tende a ser mais benéfico do que atividade intensa e esporádica, que pode aumentar o risco de dor e lesões.

Passeios curtos e brincadeiras leves

Os passeios curtos, em horários mais frescos, com ritmo confortável e pausas, são uma excelente ferramenta para manter o pet ativo.

Em casa, brincadeiras leves (como jogos de farejar, petiscos escondidos, brinquedos interativos) funcionam muito bem como enriquecimento ambiental e ajudam a manter o pet mais engajado sem sobrecarregar articulações.

Se o pet apresenta dor, mancar, rigidez ou cansaço fora do padrão, o ideal é ajustar a rotina e avaliar com o veterinário.

Check-ups regulares

Por fim, check-ups regulares são o que sustentam todo o restante.

Em pets idosos, avaliações mais frequentes ajudam a identificar cedo alterações que ainda não viraram sintomas fortes e isso muda prognóstico e conforto.

Além do exame físico completo, é comum que o veterinário indique exames laboratoriais (sangue e urina) e, quando necessário, exames de imagem.

A vantagem é simples, quanto mais cedo a alteração aparece no check-up, mais cedo é possível agir com um plano de cuidado adequado.

Se você notar mudanças persistentes, vale agendar uma avaliação e pedir um check-up com clínico geral.

Se você notar dois ou mais sinais persistindo por alguns dias, ou se aconteceu algo súbito (como convulsão, desmaio, falta de ar ou dor intensa), vale não esperar.
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