É comum durante a Páscoa crescer o número de casos de intoxicação de cachorros ao comer chocolate, e isso acontece porque a quantidade de ovos, bombons e embalagens ao alcance dos pets também aumenta.
Mesmo um pedaço considerado pequeno pode causar problemas, porque chocolate faz mal para cachorro e para gatos, podendo provocar desde vômitos e agitação até quadros mais graves de intoxicação por chocolate.
Neste período do ano, é também comum ouvir frases como “ah, foi só um pedacinho” ou “ele já comeu antes e não aconteceu nada” e o problema é que cada pet reage de um jeito, e a toxicidade depende de fatores como:
- Tipo de chocolate;
- Quantidade ingerida;
- Peso do animal.
Por isso, minimizar o risco pode atrasar a busca por ajuda e piorar o quadro do pet.
Além disso, chocolates mais fortes, como amargo e meio amargo, usados frequentemente em ovos gourmet e presentes de Páscoa, têm maior concentração das substâncias tóxicas para cães e gatos, aumentando bastante o risco.
Teobromina e cafeína no chocolate e os efeitos no organismo de cães e gatos
O principal motivo de intoxicação por chocolate em cães ocorre por causa de duas substâncias naturais presentes no cacau: teobromina e cafeína.
Cães e gatos metabolizam essas substâncias mais lentamente do que nós, segundo o MSD Veterinary Manual, isso permite que elas se acumulem no organismo e causem sintomas como:
- Tremores;
- Vômitos;
- Diarreia;
- Agitação;
- Aumento dos batimentos cardíacos;
- Alteração de pressão arterial.
A teobromina é o principal problema, mesmo pequenas doses podem afetar o sistema nervoso central e o coração, levando a sinais neurológicos e cardiovasculares, já a cafeína intensifica o quadro, deixando o pet ainda mais agitado ou inquieto.
No caso de intoxicação por chocolate em gatos, o risco existe, mas costuma ser menos frequente, pois os gatos geralmente são mais seletivos e tendem a comer menos chocolate.
Ainda assim, a recomendação continua sendo a mesma se o gato consumir o chocolate, levar a sério do mesmo jeito.
Gravidade da ingestão de chocolate: tipo, quantidade e peso do pet são fatores de risco
O tipo de chocolate pode influenciar na gravidade do caso de intoxicação e a seriedade depende diretamente da combinação de três fatores principais:
- Tipo de chocolate;
- Quantidade ingerida;
- Peso do animal.
Quanto mais concentrado em cacau, maior o risco e quanto menor o pet, menor a dose necessária para causar sintomas, por isso é comum o veterinário pedir detalhes antes de orientar o próximo passo.
Essa é a razão que mesmo um pedaço pequeno pode ser perigoso, especialmente se o chocolate for amargo ou meio amargo, pois, chocolates escuros têm níveis muito mais altos de teobromina.
É importante lembrar, não existe “quantidade segura” recomendada para dar ao pet, qualquer ingestão deve ser levada a sério, especialmente se você não souber exatamente o quanto foi consumido.
Diferenças de risco entre chocolate amargo, ao leite e branco
Quando explicamos qual chocolate é mais perigoso para cachorro, a lógica geral é, quanto mais cacau e mais “amargo”, maior tende a ser o risco. Chocolate ao leite costuma ter menos dessas substâncias.
Já o chocolate branco tem níveis muito baixos de cacau, mas isso não significa que seja seguro. Ele contém gordura e açúcar em excesso, podendo causar mal-estar gastrointestinal e até pancreatite em alguns pets. Portanto, nenhum tipo deve ser oferecido.
Por isso é importante a pessoa responsável pelo pet informar o tipo do chocolate (se era chocolate ao leite, meio amargo, 70%, chocolate de culinária, cacau em pó, brigadeiro, brownie, recheado). Isso muda bastante a avaliação de risco.
Sinais clínicos de intoxicação por chocolate em cães e gatos
Os sintomas de pet com intoxicação por chocolate podem surgir nas primeiras horas e variam conforme a dose e o tamanho do animal.
Os sinais mais comuns incluem:
- Vômito e diarreia;
- Inquietação e agitação;
- Sede aumentada e urinar mais;
- Ofegar mais que o normal;
- Batimentos cardíacos acelerados;
- Em quadros mais graves, tremores, descoordenação, convulsões, fraqueza intensa.
Em casos mais graves, podem aparecer convulsões e arritmias.
Alguns pets também apresentam respiração acelerada, aumento da pressão arterial e alterações de temperatura corporal.
Um detalhe que confunde é o pet ficar “elétrico”, agitado, correndo pela casa, e isso é interpretado como “ele está bem, está até animado”, mas essa “animação” pode ser justamente um sinal de estímulo exagerado do organismo.
Sempre que houver a suspeita de ingestão, mesmo sem sintomas aparentes, é recomendado buscar orientação veterinária, esperar os sintomas surgirem pode atrasar o tratamento e aumentar o risco.
Janela de início dos sintomas e evolução do quadro
O tempo para os sinais aparecerem varia, muitos pets começam a demonstrar sintomas entre 2 e 6 horas, mas em alguns casos pode demorar mais, especialmente quando a ingestão é de chocolate ao leite, que é absorvido mais lentamente.
Destacamos que a teobromina permanece por muito tempo no organismo, até 24 horas ou mais, o que significa que o quadro pode evoluir mesmo após parecer estável.
Por isso, observar em casa sem orientação não é recomendado.
Condutas imediatas após a ingestão de chocolate
Quando a pessoa responsável pelo pet perceber que o cachorro comeu chocolate, o primeiro passo é manter a calma e impedir que ele tenha acesso a mais.
Em seguida, é importante buscar orientação veterinária o quanto antes, especialmente se você não souber exatamente o que ou quanto foi ingerido.
Não é indicado tentar provocar vômito, dar leite ou oferecer carvão ativado por conta própria, intervenções caseiras podem atrasar o tratamento adequado ou até causar complicações.
Ou seja, em caso de suspeitar de intoxicação, a avaliação profissional é fundamental.
Agora, um dos pontos mais importantes, quando levar o pet no veterinário, recomendamos levar o pet ao veterinário sempre que houver suspeita, mesmo que ele esteja aparentemente bem.
É prudente procurar avaliação veterinária com mais urgência quando existe pelo menos um destes fatores:
- Pet pequeno/filhote
- Chocolate mais concentrado (mais amargo, culinário, cacau)
- Quantidade moderada/grande ou quantidade desconhecida
- Início de sintomas (mesmo que “leves”)
- Pet com doenças prévias (principalmente cardíacas, neurológicas, ou histórico de pancreatite)
Se você estiver em dúvida, o mais sensato é conversar com um serviço que consiga orientar rápido e ter atendimento 24 horas, especialmente durante feriados e madrugada.
Ter acesso ao atendimento na hora certa muda o desfecho.
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Situações em que esperar em casa aumenta o risco
Esperar para ver “se vai dar algo” pode agravar bastante o quadro, porque a absorção da teobromina é lenta e progressiva.
Esperar pode parecer uma boa ideia quando o pet ainda não estiver ruim, mas esse é justamente o problema. Em alguns casos, atrasar a ida ao veterinário pode permitir que as substâncias alcancem níveis mais altos no organismo, dificultando o tratamento e o prognóstico.
Se o pet começa com vômito/diarreia e evolui para muita agitação, tremores, incoordenação, fraqueza, ou se a pessoa responsável pelo pet perceber que “tem algo estranho”, é o tipo de caso em que atendimento rápido tende a ser o caminho mais seguro.
Prevenção de acidentes com chocolate durante a Páscoa
Evitar acidentes nesta época é mais simples do que parece. Guardar ovos de Páscoa em locais altos, evitar deixar embalagens abertas pela casa e orientar visitantes e crianças a não oferecerem nada ao pet já reduz significativamente o risco.
E se algo acontecer, lembre-se, acidentes com chocolate são comuns, e você não está sozinho, o importante é agir rápido.
Se o seu cachorro comeu chocolate ou você está na dúvida sobre o que fazer, nossa equipe está disponível para orientar e atender 24 horas por dia, em Sorocaba, inclusive aos finais de semana e feriados, como a Páscoa.
O Bionicão está aqui para oferecer cuidado, segurança e tranquilidade para você e para o seu melhor amigo, sempre que você precisar.